Curtir significa de fato curtir a vida?

February 6, 2019

 

Se você contar seus amigos, perceberá que eles representam um pequeno percentual das pessoas que atualmente você parece se conectar. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, mesmo tão rodeados de contatos, curtidas e visualizações? Quantas vezes tentamos decifrar o que o outro sente ou quer de nós, por conta de uma visualização, um like, um coração?

 

Uma curtida em foto antiga faz de você uma pessoa tão especial? A pessoa que curte todas as minhas fotos realmente gosta de mim? Visualizar meus stories, realmente significa um interesse por minha vida? Uma mensagem não visualizada significa um "não tenho interesse" ou seria apenas um jogo?

Aquela pessoa é mesmo tão divertida e otimista? Todo mundo é mesmo tão bonito, atlético quanto demonstra ser? E por aí vai.

 

 

De fato, as redes sociais estão moldando, e muito, a forma de nos comunicarmos. Elas afetam osVoc nossos sentimentos, alteram nossas necessidades e por muitas vezes moldam a nossa qualidade de vida. Quem definiu que áudio de mais de 1 minuto é ruim? Quantas vezes você ficou desconcertado por ter que falar com alguém que não desgrudava do celular enquanto você tentava conversar?

 

Mas, Day. Eu sou multitarefa, consigo gerenciar tudo isso. Vou então te apresentar algumas consequências de ser multitarefa, do ponto de vista da neurociência, principalmente quando se trata de atividades pensantes e complexas. Ser multitarefa:

 

1 – Não economiza tempo, desperdiça tempo.

Nosso cérebro não é dual chip. Ele pensa em uma coisa a cada instante. Quando tentamos fazer 2 tarefas complexas ao mesmo tempo, o que estamos fazendo é mudar constantemente de uma tarefa para outra. 

 

2 – Diminui a produtividade.

Além de consumir mais tempo para realização das tarefas, ela induz ao erro, causando retrabalhos por falta de atenção.

 

3 – Provoca agitação mental.

Não é novidade que quem é multitarefa costuma ser bastante ansioso.

 

4 – Reduz nossa capacidade de percepção.

Muitas vezes não percebemos aquilo que está em “nossa cara”. Olhar e não ver, é o que chamamos de atenção parcial contínua.

 

Uma mente cada vez mais conectada pode estar nos afastando de sermos produtivos e de nos comunicar verdadeiramente uns com os outros. Se já é tão difícil nos entendermos estando um em frente ao outro, imagine separado por uma tela, ou várias, cuja comunicação acontece por diversos símbolos, filtros, memes, enigmas e tudo isso ao mesmo tempo? Nossa capacidade de comunicação é uma das características que mais nos diferencia como seres humanos.

 

Algumas pequenas dicas para você que deseja se comunicar mais no mundo real:

 

1. Aumente seu tempo offline.

Se permita ter mais momentos de mundo real. Ligue para um antigo amigo e o convide para visitar sua casa. Chame aquela moça interessante, que você só admira por fotos, para sair.

 

2.  Faça perguntas e se interesse pelas respostas.

Tente conhecer melhor as pessoas que convivem com você em seu dia a dia. Saber mais sobre a vida de famosos, não vai mudar sua vida, conhecer o colega que senta ao seu lado todos os dias, sim.

 

3. Quando alguém quiser falar. Escute.

Evite entrar na disputa de falar de si mesmo e não ouvir. É muito comum que na tentativa de amenizar a dor do outro, começamos a comparar nossos problemas com os da pessoa, ou vamos logo querendo dar conselhos. Muitas vezes, as pessoas só querem ser ouvidas. Então, as escute.

 

4. Esqueça um pouco o celular.

Como disse a Sandra Annenberg, “que deselegante!”. Quando estiver com alguém, desconecte-se da internet, deixe o celular na bolsa/ no bolso e fora do seu campo de visão. Eu sei que é difícil no início, mas tente. Um celular não pode dominar você.

 

Em meus cursos, eu realizo verdadeiras imersões de comunicação e de criatividade ensinando o bê-á-bá da comunicação e como utilizar melhor os modos cerebrais. Minha causa não é contra a tecnologia. Eu amo tecnologia e inovação, acredite! Eu quero apenas trazer um pouco mais de consciência sobre a forma como as pessoas se comunicam, pois eu sei que a comunicação atual afeta muito a produtividade, a capacidade de trabalhar em grupo e a motivação das pessoas. Eu proponho uma troca. Trocar uma comunicação que hoje é totalmente automática, por uma comunicação amplamente consciente. Acredite, ninguém nunca mais é o mesmo depois disso.

 

 

 

Sobre a autora:

​Day Louise é Administradora e Especialista em Comunicação, Criatividade e Inovação. Ministra cursos de Comunicação e Criatividade para gerar Inovação Colaborativa nas organizações.

 

 

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